quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Namoro entre coreanos e estrangeiros

Como tenho recebido perguntas sobre o assunto, trago aqui  o post de um brasileiro que vivendo na coreia, tem um blog sobre coisas de lá , muito interessante, e fala sobre sua experiencia  .



Namorado(a) estrangeiro(a) e a família coreana

Tem gente que me pergunta sobre o assunto, então resolvi traduzir um post de um dos meus k-blogues favoritos, o Stuff Korean Moms Like (Coisas de que as Mães Coreanas Gostam). O blogue é escrito por uma americana-coreana, cujos pais são 100% coreanos, só para entender o contexto. A autora do blogue (Chiyo) enumera os posts em tópicos bem-humorados, e o que vou traduzir abaixo é o número 20.

#20 Casando as pessoas
Elas adoram isso. Se você é solteiro e tem entre 24 e 40 anos, sua Mãe Coreana está tentando te casar com alguém. Não negue. O quanto antes ela te casar, mais cedo ela vai se tornar uma halmeoni (vovó) e deixar de ser uma mera ajumma (mulher coreana casada e mais velha). Mas você não pode se casar com qualquer um. Sua Mãe Coreana está planejando te casar com um médico ou advogado coreano, e talvez se ela for mais liberal e aberta, um empresário coreano. 
À medida que você envelhece, as tentativas de te casar vão crescer. Ela vai recorrer até mesmo a um casamento arranjado com alguém na Coreia que está querendo ter um greencard. Alguém que você nem conhece e cujas fotos foram "photoshopadas" (...aquele cara da foto que ela te mostrou? O que mora em Daejeon e trabalha na Samsung? Na verdade ele é careca, tem 1,50m e o dente torto... mas você não vai ficar sabendo disso antes do dia do casamento).
Ela não vai nunca nunca nunca, repito... nunca... ficar feliz com você se casando com alguém de uma destas categorias: branco, negro, japonês, sul-asiático, alguém que esteja "tentando descobrir o que quer da vida", artistas ou pastores. Ela pode até dizer no final das contas que está OK... mas bem no fundo não está. Principlamente porque ela nunca mais vai poder contar vantagens sobre você (veja o #18). 
A última categoria da lista é considerada sentença de morte para uma Mãe Coreana que não quer ver sua filha sofrer nas mãos das outras mães coreanas na igreja do pastor. Se a filha realmente escolher se casar com um pastor e sua mãe de alguma forma aceitar, ela vai reclamar, mas secretamente vai gostar do fato de que "deu à luz uma filha santa". Se você escolhe se casar ou namorar uma pessoa de qualquer outra categoria da lista, prepare-se para ver seu/sua parceiro(a) experimentar rejeição e uma elevada forma de tratamento silencionso sempre que estiver na presença da Mãe Coreana.
Se você atualmente namora ou é casado(a) com qualquer um da lista cima... eu te saúdo. Você é meu herói.

É claro que a autora, por ter "sangue coreano", se sente na liberdade de escrever coisas que, vindas de outra pessoa, soariam mais pejorativas. Num outro post ela até diz que "toda Mãe Coreana é racista", não importa o quanto ela negue. E ela sempre escreve com bom-humor, o que torna tudo mais leve.

Então vamos ao que me perguntam: "Os pais da sua namorada te aceitam na boa?" Resposta: "Não. Você não leu o post acima?"

A resposta é "não" por causa do "na boa"... Não interessa o quão aberta a família coreana seja. O ideal para eles é que seus filhos se casem com coreanos. Ponto. Os motivos podem ser raciais, culturais, linguísticos ou geográficos (todos os quatro pontos pesam contra mim), mas a verdade é que um relacionamento intercultural/interracial está longe de ser aceito como "normal" na Coreia.


Eu ainda nem conheço os pais da minha namorada. Um dos motivos é que aqui normalmente não se apresenta o namorado para os pais tão cedo, mesmo que seja coreano, porque isso pode significar que o casal já tenha planos de se casar logo. Sendo um namorado estrangeiro então, cuidado redobrado. Outro motivo é o preconceito (o conceito pré-formado) sobre os homens estrangeiros na Coreia: o cara que vem pra cá só pra se divertir, comer as menininhas e depois sumir. Inclusive programas de TV contam essas histórias, sendo a maioria sobre professores de inglês ou soldados estadunidenses.

A minha sogra quase chorou quando soube que sua preciosa filha tinha arrumado um namorado brasileiro. Fez o maior drama. Segundo ela, a primeira imagem de brasileiro que lhe veio à cabeça foi o Ronaldinho Gaúcho. Depois um índio, com um toco atravessado no queixo, que viu no documentário da MBC sobre a Amazônia. Não entendia por que, com tanto homem coreano solteiro neste país, a filha dela tinha que se engraçar logo com alguém que (pra ela) saiu da floresta amazônica, que fica logo atrás do sambódromo do Rio, cheio de gente pelada rebolando.

Mas depois ela me viu na TV, quando apareci na KBS. Não deve ter me achado muito bonito, mas achou que foi melhor que o Ronaldinho Gaúcho. Viu também que eu me esforçava para falar coreano. No aniversário dela, mandei flores. A resposta foi positiva: no ano novo lunar, ela me mandou comidas que tinha preparado, como forma de agradecimento.

E por enquanto estamos nesse telefone sem-fio. Contudo, tenho outros amigos brasileiros que também moram aqui, que estão casados ou namorando coreanos(as), e já venceram essa difícil barreira da aceitação por parte da família. Na maioria dos casos levou anos, mas agora são até mais bem tratados pelos sogros do que esperavam.

Agora, se você quer uma relação de poder fazer xixi de porta aberta, esqueça. Tá pensando que tá na casa da sogra?